segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pelo meu olhar


Eu sei como todos vão reprovar as minhas ações e lágrimas de culpa e de vergonha serão derramadas pela manha, mas também sei que no fundo todos terão um certo alívio e que eu estarei livrando todos de uma situação muito pior. Haverão aqueles que falaram sobre isso em um tom estúpido dizendo que eu não tive os “culhões” de encarar a situação. Que eu exagerei, que minha situação não tinha relevância nenhuma. Porém eu já posso confirmar que eles não conhecem a realidade de estar desesperadamente apaixonado e é exatamente a minha falta literal de “culhões” que torna este amor inconsolável impossível.
  Eu não vou me dar ao trabalho de explicar a minha breve história, de como eu nasci pensando em alemão e como todos a minha volta me explicavam que eu deveria pensar em latim. De como eu era o Omega em uma terra repleta de Alfas e Betas. De como meu pai, do observador que ele é, descobriu tudo logo de cara e me julgou no momento seguinte. Eu não entro em detalhes de momentos específicos de brigas, preconceitos, de todas as escolas e até cidades pelas quais eu fiquei pulando como uma menina jogando amarelinha porque eu nunca prestei muita atenção. Eu sempre ignorei tudo que podia como se esse dom pudesse ser orquestrado. Eu sempre soube que o momento em que abriam a boca pra mim nenhum comentário era feito esperando uma resposta ou opinião minha, todos os julgamentos e esporros que eu recebi já eram delatados pelo olhar que as pessoas me davam nos segundos antes de colocados em ação. Eu simplesmente ignorava tudo a minha volta. Cada piada, cada comentário nos corredores e boato que fosse inventado eu fui ficando cada vez mais longe. E por mais que eu me pergunte porque a mediocridade de todos vocês é tão grande e de como vocês esperavam algo que não fosse o silêncio de alguém que todos as noites sonhava com o dia em que os silenciados fossem vocês, eu não vim aqui gerar mais discórdia. Porque apesar de tudo isso que recebi, eu sempre continuei acordando. O foco de tudo isto é outro. 
  Isso é sobre você Cristina. Assim como qualquer coisa que eu tenha presenciado depois de te conhecer foi e como tudo vai ser até daqui a pouco onde não vão existir mais momentos meus a serem presenciados. Eu perdi a conta dos dias a muito tempo atrás, mas eu me lembro bem de quando eu te vi pela primeira vez. Quando você primeiro chegou a escola, usando aquele suéter vermelho uns três números maior que o seu, com uma expressão de inocência no rosto, talvez com medo daquela nova escola. Eu fui guiada automaticamente na sua direção, mesmo sem ter o que dizer, mesmo que eu estivesse naquela escola à apenas um ou dois messes amais do que você e não tinha como me oferecer pra te mostrar as salas porque acabaríamos perdidas. Cheguei até você e te disse oi, você sorriu, eu queria me afogar entre seus lábios abrindo. Eu queria me perder com você onde fosse e que ficássemos grudadas e nunca encontrássemos a saída. Você se apresentou e eu menti dizendo que podia te levar até a coordenadoria, seja lá onde fosse. Eu sabia que a escola inteira havia congelado, primeiro pelo fato de você haver entrado e segundo por aquelas serem as primeiras palavras que todos realmente ouviam sair da minha boca. Quando por algum acaso chegamos aonde você precisava eu pude ver que você iria ter 3 aulas comigo, como se fosse destinado a acontecer. Pela primeira vez eu senti que alguma sorte havia chegado pra mim, que eu lá estava o universo me apresentando alguém que eu não iria precisar ignorar como todos os outros e finalmente meus ouvidos iriam ser utilizados para algo além de transportar as músicas da Laura Love para o meu cérebro. Nós passamos o intervalo juntas, explicando uma pra outra de onde éramos, o que queríamos fazer, eu não sabia direito o que responder porque o futuro sempre me pareceu tão incerto quanto o passado e eu não queria dizer nada que fosse entrar em discordância com algum caminho que você tinha planejado para sua vida. Aquilo era um abuso do universo, era o destino brincando com a minha cara, não havia nada em você que não fosse surpreendente e espetacular, não havia nada que houvesse marcado algo na minha vida que você já não conhecesse ou achasse incrível também. Você conhecia Intriga e Amor e sabia que foi escrita por Schiller, e por mais geeky que isso soe, foi ai que eu senti que meu coração iria pular pela minha garganta. Parecia que quando você se bastava de palavras, eram as mais belas citações que tomavam conta das nossas conversas. Você deve ter sentido algo assim, era um sentimento forte demais entre nós pra você não sentir, mesmo que não fosse na mesma intensidade você deve ter sentido, tenho certeza que sim.
  Eu te acompanhei pra casa todos os outros dias da semana, com a desculpa de que eu tinha que visitar meu pai no trabalho, mesmo que ele estivesse de licença e nós vivêssemos em outro bairro. Foi simples e natural compreender que você era a única pessoa capaz de me dessecar por completo e me preencher de algo que não fosse indiferença. Que você é feita pra mim e insubstituível, nesta vida e em todas que estão por seguir. Estava tão cega de fascínio que nem me preocupei com o fato de você ter uma certa diferença de mim. Não tinha me dado ao trabalho de pensar que o “nós” que você via poderia ser diferente do meu.
  O lance é que, como eu disse no começo, eu sempre soube, nunca descobri nada, foi inerente a qualquer outro aspecto inato do meu ser, veio com os sentidos, as primeiras palavras, a falta do “latim” no meu pensamento. Talvez eu fosse a típica Tomboy e não me lembre, por tanta revolta que isso gerou na minha própria casa eu me afastei de qualquer coisa que fosse me causar desconforto. Uns chamam de trauma, chame do que quiser. Nunca fui atrás de gente como eu, por mais que existem muito mais do que qualquer um possa imaginar e acabei sempre recusando os pedidos que chegaram em mim por nunca achar que valiam o esforço de sair da inércia de indiferença que eu tinha com o mundo. Sempre estive bem o suficiente sozinha até imaginar uma vida com você. Uma vida sem dias ruins, acompanhados com trocas de olhares matinais, palavras de amor pela tarde e abafadores conclusivos ao anoitecer. Como eu te desejo tanto aqui comigo. 
  Enfim... foi ai que a realidade despencou em cima de mim. De repente comecei a perceber que você tinha uma leve diferença de mim, que você preferia....falar “latim”, que por mais raros que fossem os garotos que te impressionassem, eles ainda existiam. Eu me lembro bem do meu pânico, de pensar que todos os momentos que eu visualizei nós duas juntas foram apenas miragens e não visões do futuro. Houve aquele dia em que você me convidou para dormir na sua casa e eu tive de dizer que estava passando mal e sair de lá no meio da noite só porque eu não ia me conter e acabar fazendo alguma coisa se eu continuasse na mesma cama que você por mais alguns minutos. Sei que eu poderia ter tentado, que eu deveria ter falado alguma coisa, mas eu sabia que não conseguir suportar você falando pra mim que isso não ia acontecer, que seus interesses eram outros. Ia ser demais pra mim e eu não gostaria de sair daqui com essa visão ruim.Você não iria mudar, você já é perfeita demais assim, e eu infelizmente não consigo mudar também. Por tanto escolhi sair daqui com um sorriso no rosto, sem alguma coisa pra borrar as lindas visões que eu tenho de nós duas, juntas pra sempre...


- Hoje morreu uma garota da minha escola. Uma amiga, se é que posso dizer, nos conhecíamos faz só dois messes, não é muito. Natália era o nome dela. Nós nos divertimos bastante, ela parecia alegre quando conversávamos e foi a primeira pessoa a me receber nesta nova escola. Não era difícil de perceber que ela não tinha outros amigos e que provavelmente ela só foi gentil comigo para talvez sair dessa solidão. Ainda assim era divertido as vezes. Ela falava de milhares de coisas, bandas e livros que eu nunca tinha ouvido falar mas entrava na conversa e consentia com tudo que ela falava por pura vergonha de admitir que eu não conhecia nada daquilo. O que ela mais gostava era uma peça alemã....acho que era amor e.... não me lembro, algo do Goethe. Natália sempre ficava calada e desconfortável quando outra pessoa vinha falar comigo, era meio chato, todos percebiam isso. Isso só foi aumentando os boatos que falavam sobre ela, eram coisas bem estranhas, não sei se alguma delas era verdade. Parecia que ela vestia uma máscara no dia-a-dia e que uma hora ela ia acabar caindo e ia explodir, talvez isso que tenha acontecido, ela se suicidou. Pelo menos ela não fez nenhum escândalo antes disso.  Só teria comprovado todos os boatos.            
                                      
                                                                                          - Nick.                                                                         

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Eu Desisto

1 é o numero mais solitário já escrito
Essas coisas acontecem, junto com elas vem o perigo.

Perigo de ser julgado, afinal nada mais justo que equivalência
Essas coisas acontecem, você sairá machucado independente de sua crença.

Amor  é o sentimento mais  incompreendido já criado
Perigo de ser insultado, inusitado ou até se sentir deslocado.

Mas que chance tinha isso de dar certo, qual era probabilidade?
Porém coisas assim acontecem até com nossa vulgar distinção de idade, maturidade e sensibilidade.

1 é muito pior do que dois, muito mesmo
Essas feridas só conseguem ser curadas pelo tempo.

Por mais clichê que possa soar todo tipo de expectitiva
“Não foi culpa minha”
Isso é o que ela diria
Afinal que chance isso tinha?

Prepare uma lista por que você vai precisar
Já que isso não irá parar

A culpa é de quem somos

1 é o pior numero de todos.
                                                                 -Kauwba

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que te disse antes do "oi"

Durante meu último semestre de aulas, ao menos uma vez a cada semana, eu avistava uma garota loira pelos corredores da escola. Ela tinha cabelos curtos e lisos, com a leve presença de uma franja e um estilo que agradava demais. Ela era baixinha, uma pessoa pequena. Sei que ela estudava um ano abaixo do meu e sei que achava-a incrivelmente linda. Eu nunca tomei coragem para falar com ela, também nunca perguntei seu nome a ninguém, mas adorava sorrir diretamente para ela, quando passava por mim. Embora que algumas vezes eu sentisse demasiada vergonha para efetuar algo tão pequeno quanto esse simplório movimento.

Apesar de tudo, eu não desisti, sorri para ela todas as vezes que a vi, ainda que não me vise, ainda que com o olhar eu não sorrisse. Ela devia achar-me louco, concordo com ela. É sempre necessário um toque de loucura para deixar de fazer algo quando não se tem nada a perder.
    -Nick.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

All by my own.

"How would my week be different without my cellphone?"

As a work for our English class, our teacher propouse us to reflect about this topic.
It's more than clear cellphones have reformulated the way people interact with each other. It is our closest gadget and our first door to conectivity. So how their loss would affect us? There are those who argue that they would rather die than spending a day without their cellphones, so we had to figure out how it would be our "ancient" week. Here comes our reflections:

I would probably start seeing things that in the ordinary rotine are ignored. But if we look back in days of the past, it wasn't that weird, the experience of not having a cellphone. Maybe those little diferences are what made our childhood, and for some, a holy untouchable period of time.
                                                            - Kauwba

I just got back from a exchange experience that much relates to this topic. I was in Berlin (and in the beginning) without knowing how to speak German and without knowing anyone except my family there. They gave me an old cellphone that I barely used in the first couple of months. It was a weird experience, having a cellphone but no one to call. If that happened here now I would probably seize the time I have with my friends at school. Information and organization would worth more, and maybe, I'd become more focus while studing at home.
                                                           - Nick


domingo, 11 de agosto de 2013

Quem sabe...?

Naqueles momentos em que você pede por sentido e é respondido por um silêncio ensurdecedor, naquele momento que você acorda do conforto de seu sonho, naquele momento que você percebe, que você na verdade não "percebe", foi nesse momento que ele não aguentou.
Onde alguns podem encontrar a curiosidade, novas possibilidades, um novo mundo em sua frenteele encontrou o vazio, o terror do desconhecido, o sufoco do vácuo e finalmente o silêncio.
Sem se quer se despedir dos poucos corações que ele partiu, ele se foi, desistiu de tentar entender o estranho mundo em que viveu. Quem sabe ele fez a coisa certa, no fundo todos sabemos que nossa existência no fim é relativamente insignificante, e quem sabe o mundo seja apenas uma bomba relógio esperando para recomeçar o cronometro, quem sabe realmente existe um tal "lugar melhor" e ele esta lá rindo de todo mundo aqui, tentando alcançar a perfeição mesmo sabendo que a mesma não existe, correndo como ratos de laboratório num experimento.

Muitos perguntam o porquê de que ele fez, acho que tinha chegado a um ponto que a pergunta para ele era porque não? Já eu, consigo pensar de tantos motivos tanto para fazer e não fazer o que ele fez e estranhamente não da para se dizer que algum tenha mais razão que o outro. Muitos dizem ser um ato de covardia, porém acredito que seja algo que necessite de muita coragem para se fazer. As chances de ele ter uma vida miserável eram bem maiores do que de ser bem-sucedida, e as chances de pequenos lampejos de felicidade e esperança fizessem ela valer a pena de qualquer modo que fosse era igualmente provável.
Se no fim ele não sabia o que estava fazendo ou simplesmente não se importava, ninguém vai saber.
Quem sabe no fim isso vai de alguma maneira gerar algo positivo ou quem sabe ele faria grandes coisas com sua vida e tudo ficaria bem. Quem sabe... ?

O que eu sei, é que provavelmente eu sei muito menos do que você.

Mr.T

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O fim do Blog.

Hoje vimos por meio de este texto comunicar a todos estimados leitores (eu sei que vocês estão perdidos por ai) que o 4x1 acabou indefinidamente. Morremos de um sentido mais metafórico que poético e ainda assim não largaremos o blog, não desistimos. Alguns mudaram de opinião, outros foram estudar para o vestibular e ou arranjaram namoradas, entretanto nunca desistimos. Afinal, não se desiste da morte, ela simplesmente apresenta-se independente de sua vontade.

Morremos e nascemos diariamente (imaginamos), quantas vezes chegamos a uma ideia nova e refletimos do quão desnesessários eram os erros passados, percebemos como entendemos tão pouco e ao mesmo tempo temos algo de um valor inestimável. A vida sem uma renovação mental é algo miserável sendo que conservar os mesmos valores pré-definidos, independentemente do nível de pessimismo, não faz sentido, podemos sempre melhorar. Dando certo ou errado, é o que sempre buscamos.

Após dois tenebrosos messes sem qualquer sinal de vida, já estávamos até mesmo reconfortados. Porém, jamais existiria morte se não existisse vida. Caso a imortalidade fosse algo tangível, a morte seria o bem mais almejado, tendo em base que nós, seres humanos, teremos com desejo o inalcansável ou fantasioso. Assim que nasceu um novo blog que mal adquiriu consciência, não sabia (ou sabe) seus objetivos, não tem metas e não faz ideia do futuro. Esse bebê promete tentar o seu melhor, já que só se vive uma vez, sem ressentimentos, sem arrependimentos ou medos.


A partir de agora qualquer pedido nos comentários será atendido, se você leitor quiser ler uma critica ou opinião, nós o faremos. Se quiser que uma história tenha algo específico, nos o faremos. Deixo agora os comentários para sua criatividade e só peço apenas uma coisa: surpreenda-nos.
                                                                                          - 4x1

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Espaço Tempo Finito

Era uma Quarta-feira, chovia muito.
Lucas entra em casa, cabisbaixo. Como se o apartamento não lhe pertencesse. Vai até o telefone e checa se há alguma mensagem. Ele é um dos poucos seres humanos que ainda faz isso. Lucas solta sua maleta na mesa e se deita no sofá. Ele é desconfortável. Uma peça que o incomoda há muito tempo, mas não é como se seu trabalho estivesse indo bem o suficiente para dar-se ao luxo de consertar esse problema que parecia miserável comparado aos os outros.

Vamos recomeçar. Ele estava tendo um dia ruim. Não é como se sua vida inteira houvesse sido um desperdício, o que não significa que se pudesse ressaltar algo de magnífico.
Após meia hora, Lucas levanta do sofá e vai até a geladeira.
Vazia. Freezer então.
Esse continha duas lasanhas quatro queijos de uma marca tão conhecida quanto o nome daquela parte de plástico no final do cadarço. Ele coloca uma deles para esquentar. O micro-ondas mostram que são 21:22 e ele sente uma pontada no coração. Foi algo passageiro, nada que não fosse normal ou que nunca houvesse acontecido antes.

A lasanha fica pronta e ele começa a comê-la. Tenta se lembrar de quando foi a última vez que comeu algo decente.
Não consegue.
O pensamento de que esta miserável noite esta acontecendo apenas por ser o meio da semana passa pela sua mente, mas no fundo ele sabe que se fosse sexta ou sábado estaria acontecendo provavelmente a mesma coisa. Ele termina e vai para o quarto. Liga o computador e se alivia um pouco.
Não ajuda.

Ele deita na cama e demora até conseguir dormir. Até não pensar em mais nada.
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Era uma Quarta-feira, um típico dia de primavera. Não estava nem muito frio, nem muito quente. Havia uma brisa gostosa que circulava pelo ar.
Lucas e Irene entram em casa. Os dois carregam compras e ajeitam tudo na cozinha. Ela lhe conta como foi seu dia; como sua companheira Luisa estava indo no seu novo namoro; sobre o cliente Sul-africano que fez sua visita semestral e como ela estava com vontade de ir jantar na costa no final de semana, como eles fizeram a dois meses atrás. Lucas sorri. Conta como havia sido um dia normal na empresa. Os projetos estavam no prazo, mas seu colega Gustavo havia ficado doente esta semana, então ninguém poderia se dar ao luxo de deixar algo escapar até que ele voltasse. Ele já havia telefonado e desejado melhoras.

Juntos preparam o jantar. Algo simples, já que é apenas o meio da semana.
Assim que eles terminam Irene liga a Tv e se ajeita no sofá para ver a novela. Ela o chama, mas ele responde que precisa responder alguns E-mails antes.

Lucas vai para o quarto. Checa os nove novos E-mails que recebeu. Ele é um dos poucos seres humanos que ainda faz isso. Vê o horário no computador. 21:22. Ele sente uma pontada no coração. Estranha. Nada sério, porém que incomodou. Havia feito seus exames quatro messes atrás, não tinha muito com o que se preocupar.
Volta para a sala e assiste o resto da novela com Irene. Ela termina e eles assistem a um filme que estava passando em outro canal. Aparecem os créditos e os dois vão logo dormir. É mais um dia pela frente amanha. 
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É uma Quarta-feira, está frio. Apesar do clima tranquilo das outras semanas, esta veio com uma frente fria que, segundo os jornais, iria durar até Domingo.
Lucas escuta a briga entre o casal que mora no apartamento a sua frente antes de entrar. “Deve ser a semana para isso”, ele pensa enquanto entra em casa rapidamente. Fecha a porta e da um longo suspiro, mas o ar parece gasto. A casa não parece muito feliz em recebê-lo. É exatamente ao entrar que ele se pergunta o que faz ali. Tudo o lembra dela. As paredes. A mesa de jantar. As cortinas e até os porta-retratos com fotos em que ela não aparece. Objetos que ele havia adquirido muito antes de conhecê-la, agora se encontravam impregnados.

Ele se arrasta lentamente pela parede até sentar no chão. Sente como se estivesse caindo infinitamente num poço. Um lugar que, se fosse possível, ia ficando mais e mais escuro a cada metro que adentrava. Ele se sentia destruído, abalado. Nunca antes tivera uma relação tão sólida ou um término tão destrutivo. Ele não gostava de pensar que amar é um problema quando não se é recompensado. Ele é um dos poucos seres humanos que ainda pensa assim. Carol fazia muita falta. Haviam se passado apenas três dias, mas eles foram o suficiente para mostrar que a partida era para sempre.
Seu celular começa a tocar. É André, seu grande amigo, ligando provavelmente para chama-lo para sair no meio da semana, apenas para coloca-lo para cima. André é um bom amigo com boas intenções, mas Lucas não se da ao trabalho de atender. Ele desliga o telefone e deita por completo no chão. O poço é interminável.

Já esta na hora que ele costuma jantar, mas só de pensar em mover-se já lhe traz um enjoo. Ele começa a sentir mais frio. Olha para o relógio para ver quanto tempo se passou dessa atuação adolescente que ele vinha efetuando. São 21:22. Ele então sente uma pontada no coração. Parece muito pior do que realmente pode ser. Morrer agora simplesmente iria fazê-lo chegar no fundo daquele poço.
Ele se levanta, esquece todo o trabalho que tem pendente e vai direto para a cama. Ter pesadelos de como o dia de amanha será exatamente igual.  
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Era uma Quarta-feira, estava abafado. Era de longe o dia mais quente da semana, talvez do mês.
Lucas chega em casa suando um pouco. Abre as janelas, mas arrepende-se e logo as fecha. Senta no sofá e vê seu gato. Melhor, o gato de Maria. Ele sempre parecia estar à espreita. Como se gravasse tudo que via e ouvia naquela casa para então entregar um resumo a uma agência de espionagem.  Ele não tinha problemas com o gato. Preferia cachorros, como os que tivera na sua infância, mas sabia que eles requeriam mais responsabilidade. O gato, naturalmente, sabia se virar e conhecia a casa até melhor do que ele. Nunca incomodava. Não havia porque criar problema.

No momento em que ele se levanta para ir até a geladeira, Maria abre a porta. Ela está usando um vestido florido, vermelho com branco, que comprara dois meses atrás. Maria era uma mulher tão sexy que na sua presença, era como se o coração e a visão de Lucas não fossem aguentar tanto e teriam de explodir.  Ela mantinha aquele charme inconfundível independente da roupa, ou da ausência dela. Ela entra e lhe da um beijo. Pergunta brevemente como foram essas últimas horas, já que eles haviam almoçado juntos, e fala que trouxe sushi para jantarem. “Nada melhor nesse calor”. Ele se alegra com essa notícia e juntos se sentam para comer.

Maria fala sobre os novos materiais que chegaram para sua loja e ele já programa ajudá-la com isso na Sexta-feira. O sushi está delicioso. É de um restaurante no final da rua que tem um preço ótimo e uma qualidade que não se pode contra argumentar.

Assim que terminam eles vão ao Sofá. Maria lhe da um beijo. Os hormônios no ar são esquentados pelo abafo que já se encontravam. Lucas percebe o gato, mais uma vez o encarando. Ele levanta Maria em seus braços e a leva ao quarto. Apaga as luzes. Ele é um dos poucos seres humanos que ainda faz isso. Lucas tira sua camiseta e ambos se deitam. A emoção progride, beijos calorosos por tudo, até que ele sente uma pontada no coração. Obriga-se a parar. Maria pergunta se está tudo bem. Ele diz que sim. Foi apenas um susto. Nada com que devesse se preocupar tanto. Vê a luz azul vinda de seu relógio na estante, que é a única coisa iluminada no quarto. São 21:22. Ele ignora o que quer que tenha sido e volta para ela. Os dois se entregam ao momento. Mais quente que aqueles lençóis, apenas o Sol.
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Era Quarta-feira, e estava apenas um pouco nublado. Nada de chuva, nem sequer muito frio.
Lucas entra em casa um pouco apressado. Abre a porta e corre para o banheiro. Efetua suas necessidades e então, já mais relaxado, se olha no espelho. Está com grandes olheiras. Havia trabalhado muito na última semana. Os prazos haviam se apertado e parece que tudo tinha se programado para ser entregue no final da semana. Nada impossível, só cansativo. Mais um par de dias trabalhando e tudo estaria bem. Passa uma água no rosto e vai em direção à cozinha.

Havia sobras do jantar de ontem que ainda tinham uma cara muito boa. Ele põe tudo no micro-ondas e, na espera, olha no freezer se ainda existe um pouco de sorvete para sua sobremesa. Mesmo sozinho, Lucas gostava de ter uma refeição até que completa. Ele era um dos poucos seres humanos que se preocupava com isso. Termina sua refeição e parte para o sorvete, até que sua campainha toca. Ele vai em direção à porta e mesmo já tendo quase certeza de quem é, pergunta.

“Sou eu, Lucas” diz Alina com uma voz muito triste. “Alina eu estou muito ocupado trabalhando, você precisa de algo?” “Eu só quero conversar” “Eu não tenho tempo agora, sério mesmo”, diz ele normalmente. Então ela começa a chorar. Ao ouvir os soluços, Lucas fita o chão com um sentimento repreensivo. Ele não deveria abrir a porta, mas não pode deixar alguém para fora naquela situação, independente de quem seja.
Alina entra e está com o rosto todo vermelho e inchado. Ela o abraça. Ele fica sem ação. “Calma”. Ele a leva em direção à cozinha e lhe oferece um copo de água. Ela aceita e enquanto bebe, vai se acalmando. “O que aconteceu?”. Ele realmente não se interessava, e não havia pergunta a ser feita. Ela agora passaria um bom tempo explicando algo tão simples como escrever seu nome em água. Começou o discurso de como ela não poderia mais viver assim, como ela precisava dele novamente, porque sozinha ela não estava conseguindo lidar e a vida era uma merda se empilhando por cima da outra. Alina estava tendo mais uma crise de depressão.

Alina na verdade era uma pessoa que tinha a vida como crise. Depressão é apenas uma palavra simples demais para descrever tudo que acontecia. “Alina. Você tem que superar isso, já tivemos essa conversa milhares e milhares de vezes. Já fazem cinco meses e você ainda assim continua batendo nas mesmas teclas. Nós não vamos voltar, desculpa. Não funcionamos, já deixamos isso bem claro. Já te levei a vários lugares para ter ajuda e lá você finge que quem tem algum problema sou eu. Parece que você gosta de fazer isso só para voltar. Já deu. Eu preciso trabalhar hoje.” “É que eu te amo!”, interrompe ela chorando mais do que no começo, parecendo que num daqueles soluços ela morreria. “Não diga isso. Você sabe que não é verdade, Alina. Chega.”, diz Lucas calmamente querendo encerrar a cena que iniciava. “Você não...”.

Então seu celular começa a tocar. É seu chefe e ele prometera ficar disponível a qualquer hora na semana por causa dos prazos apertados. Era obrigado a atender. Olha para ela tentando convencer “É urgente, já vou desligar”, e vai para a sala.
“Oi Mathias. Eu estou num péssimo momento agora, retorno a ligação em dez minutos e então posso resolver o que for. Se forem as tabelas, já vai me mandando por E-mail”, e desliga. Curto, porém educado.
Ele volta para a cozinha e vê Alina de cabeça para baixo. Aproxima-se e ela avança para lhe dar um beijo. Ele recua e grita para que ela se afaste. Ela avança chorando e então Lucas sente uma pontada no coração.

É algo sério.
Ela recua.

Ele vê sua faca de cozinha cravada perfeitamente entre as costelas. Sua boca se preenche com o gosto de sangue. Ele a vê chorando e gritando, mas a cada segundo sente que o volume está mais baixo. Ele vai para o chão. Soluça e cospe sangue. Faz questão de sujar as próprias mãos. Os gritos de Alina, por mais que irrelevantes aos ouvidos de Lucas, são capazes de acordar o condomínio inteiro. Ele sente frio e uma neblina invade sua visão.
Tudo vai ficando distante.

As paredes.
A vida.
Seu corpo cada vez mais e mais distante...

Eram 21:23 de uma Quarta-feira nublada em que, agora, chovia. 
                                                                                                   -Nick.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Acervo Nacional - Apenas o Fim


 O quão longe você acha que pode ir? Duvido que Matheus Souza soubesse a resposta.
Este filme não é simplesmente uma recomendação como todas as outras que fizemos aqui, pois mesmo considerando uma obra excelente, não acho que sozinha teria tanta importância a ponto de me levar a escrever esse texto (arrogância +8000).
 Em 2008, um universitário resolve escrever e dirigir um filme sem qualquer ajuda do governo. Esse tipo de historia tem tudo pra dar errado, mas não deu.
Ele pega uma câmera emprestada da faculdade, com a limitação de que câmera só pode ser transportada nas localidades do campus, ou seja, o roteiro inteiro teria que ser convertido pra outro ambiente. Assim mesmo com todas essas limitações e apenas com o dinheiro de uma rifa de Uísque (a qual o vencedor se quer veio buscar), Matheus Souza produziu um filme que o fez ganhar o festival de cinema do Rio De Janeiro e ser indicado a um festival em Rotterdam.
Como é de ser esperar Apenas o fim é um filme simples sem nenhuma ação e de 80 minutos recheados de diálogos e mais diálogos. Definitivamente não é um tipo de filme que agrada a todos os gostos.
Como não é de se esperar este filme retrata toda uma historia de amor com diálogos exemplares e com varias citações de cultura pop.
Altamente recomendável pela atuação excelente de Gregorio Duvivier, pela inspiração e pra mostrar que Glauber Rocha estava certo: pra fazer cinema só é necessária uma ideia na cabeça e uma câmera na mão.












                                                   - Kauwba
P.S.: este filme é realmente difícil de ser encontrado em locadoras (já que esta longe de ser uma produção mainstream). Então aqui vai um link caso queria assistir no Youtube (a qualidade de imagem é um merda), ou passe o mouse na imagem.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Acervo Nacional - Monstros!


O cinema mudo prova que não é necessário o uso de palavras pra conseguir uma forma de expressão que passe uma mensagem. Esse tipo de técnica limita a facilidade de criar algo, porém quando é bem feito torna-se impagável.
Monstros é uma historia em quadrinhos criada por Gabriel Duarte, que tem como inspiração principal as invasões de monstros a grandes metrópoles. Se você tem por volta de 18 anos ou menos, facilmente poderá relacionar esse tema ao programa Power Rangers, apesar dessa historia não se tratar de ninjas fantasiados defendendo cidades com seus Megazords. Essa nem e a influencia que Duarte diz ter, que seria Spectreman, porém nem eu nem (muito provavelmente) você conhecemos esse programa.
A trama é simples quase minimalista: Monstros das profundezas invadem Santos e isso resulta em pânico geral da população, todos tentam fugir abismados pelo medo, mas não Pinô: o humilde dono de um bar que mesmo sendo um homem já de idade, misteriosamente anda na direção das bestas. Sinto-me aqueles críticos exagerados dizendo isso, mas cada quadrinho é perfeitamente colocado assim criando uma obra que em minha opinião é irretocável.
Este livro é uma compra obrigatória a quem gosta de arte, sendo graficamente ou como uma maneira de contar historias. E merece, não só um espaço na sua prateleira, como também nas suas memorias mais alegres por mais que elas estejam esquecidas.
Realmente não existem palavras para descrever o quando esse livro é bom e digo isso também no sentido literal.

“Monstros!” pode ser encontrado nas melhores livrarias.
                                                                              -Kauwba.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pastel Corajoso

Um herói que nunca foi visto antes,
Apenas em sonhos delirantes,
Quem ajudaria as empadas injustiçadas
E as frituras machucadas?
O Pastel Corajoso!
Nunca antes os empanados conheceram
Um campeão tão valoroso.

- J.Kley

domingo, 19 de maio de 2013

Get Lucky or Die Trying

Aproveitando o momento pré (ou pós) lançamento do novo álbum do Daft Punk, Random Access Memories pela Sony/Columbia Records nesta semana. Venho aqui abastece-los de cultura Pop e minha opinião após um dia inteiro ouvindo o álbum. 
 Aos que desconhecem, Daft Punk é uma banda formada pela dupla francesa Homem-Cristo e Thomas Bangalter em 1996. Eles tem quatro álbuns de estúdio (contando com o novo) e milhares de experiencias independentes de mixagem e a trilha sonora completa do filme Tron: O Legado (2010). 
Eu pessoalmente sou um grande fã de todo seu trabalho. Homework (1997). Discovery (2001). Human After All (2005). Tron Legacy OST (2010) e os remixes de seus próprios álbuns como Daft Club (2005). Tron Reconfigured (2011) entre outros. Sempre gostei de como esta banda de música eletrônica conseguia se diferenciar tanto das regras de estilo das outras. Sua mistura de uma variedade enorme de instrumentos com os sintetizadores e os vocais são anos luz de algo que possa ser chamado de música artificial. Daft Punk foi revolucionário. Eu considero Discovery um dos melhores álbuns da humanidade. Junto com o filme anime sem falas Interstella 5555 que tem apenas este Cd como acompanhamento musical (enfim).
Acompanho a saída do novo álbum Random Access Memories (2013) desde seus boatos e quando foi passado ao público, em Janeiro, os primeiros 15 segundos de seu futuro primeiro hit no álbum: Get Lucky. Quando ouvi aqueles pequeno pedaço de música eu admito que fiquei decepcionado. A expectativa de anos por um novo álbum de Daft Punk e a mídia que estava sendo produzida em volta dele, os segredos que a gravadora se preocupava em manter. As expectativas estava voando alto e para mim haviam acabado de colidir. Era fraco. Eram 15 segundos que não valiam toda aquela propaganda e eu esperei que não fossem os melhores 15 segundos de todo o álbum. 
Quando a gravadora liberou o primeiro hit (Get Lucky). Eu estava arrasado. E sei que entre a maioria dos fãns eu era um caso a parte. O álbum que já está em pré-venda no Itunes e tem lançamento mundial por esta semana (variando a data entre os países). Já chegou em minhas mãos portanto aqui vai uma visão mais detalhada de cada música. Com uma conclusão do álbum no geral. 

1- Give Life Back to Music, 4:34 - Uma entrada triunfal como era de se esperar pelo álbum, mas que é cortada pela revelação de um ritmo que não cativa. Dentro dos conceitos de álbum onde a primeira música deve explodir sua mente e e te fazer ouvir as músicas que estão por vir. Essa não cumpre o objetivo.
2 - The Game of Love, 5:21 - Uma música diferente, porém se mantem na base de Get Lucky. Não chama a atenção.
3 - Giorgio by Moroder, 9:04 - Está música da esperança ao resto do álbum. O começo onde é apenas uma reação feita por Giorgio Moroder é uma história simples que depois abre espaço para um instrumental eletrônico de qualidade. Lembra a música "The Grid" em na Trilha Sonora de Tron, onde Flynn (Jeff Bridges) mistura sua narração com um fundo musical. 
4 - Within, 3:48 - Começa como uma música pop, um tanto para baixo. O tipo de música que ouvimos em um dia chuvoso, entretanto ela se desenrola bem. 
5 - Instant Crush, 5:37 - Lembra um pouco, por estilo e não por imitação. A música Something About Us do álbum Discovery, um ritmo mais leve. Por consequência uma música muito boa. 
6 - Lose Yourself to Dance, 5:53 - O segundo e aclamado hit do álbum. Novamente vemos um riff muito similar ao de Get Lucky . Creio que apelaram demasiado para a voz aguda de Pharrell Williams. Só me fez duvidar mais em quem decide quais músicas serão ou não serão hits.
7 - Touch, 8:18 - Para estampar na cara de todos que neste álbum o Daft Punk decidiu ir para uma onde de música mais clássica. Temos pianos de orquestra mais presente que sintetizadores. Agora todos podem ser fãs de Elton John, Barry Manilow e Abba sem serem julgados. 
8 - Get Lucky, 6:07 - Serei curto e direto. É fraco, comum. Já ouvimos isto antes.  
9 - Beyond, 4:50 - Entrada de jornada épica de orquestra, propagandas de Final Fantasy e Jurassic Park voando pelos ares. Ainda mantém um Riff muito similar ao de Get Lucky (novidade), mas depois isso tudo se junta a uma boa levada do velho Daft e a música se mantem boa até o final. 
10 - Motherboard, 5:41 - Puro instrumental leve, o qual eles sabem fazer como ninguém. Toques de orquestra e sons literalmente oceânicos em certos momentos, mas que ainda não perdem o ritmo. Uma boa música.
11 - Fragments of Time, 4:39 - E quando finalmente abandonamos aquela pegada pop dos anos setenta, aqui está ela novamente. Uma música bem disco que acompanha belos solos de sintetizadores. 
12 - Doin' It Right, 4:11 - Existe um bom motivo para o Kraftwerk ser responsável pela revolução da eletrônica dos anos setenta e não o Daft Punk. O estilo vocal de Panda Bear nesta música já deveria estar em extinção. 
13 - Contact, 6:21 - Uma maneira incrível de encerrar o álbum. Realmente uma das melhores. Vai progredindo com aquele gosto de Daft Punk, que junta um ritmo de cada vez até no fim formar algo completo e extraordinário. 

Bem, ao meu ver Random Access Memories é uma tentativa de voltar as origens do que o Daft Punk chama de música Pop  e não Eletronic Pop. Ele tende mais à música clássica que a nova. O álbum conta com muitas participações, que variam de Pharrell Williams (Muppets OST) até Julian Casablancas (The Strokes) e uma orquestra completa. Agora sendo realista e direto, 70% do álbum é uma memória da mesma experiência musical. São músicas muito similares, mesmo que de diferentes estilos, elas acompanham a pegada de Get Lucky que eu já estou cansado de relembrar. Não foi o suficiente para eu perder minha fé em Daft Punk, porém foi o suficiente para me decepcionar. Nota: 6/10. 
Eu apenas espero uma boa trilha sonora para o próximo Tron. 

Sei que muito podem discordar de mim, mas eu peço que venham realmente falar. Eu adoraria ter uma segunda opinião sobre o álbum. Os que não conhecem Daft Punk, espero que vão atrás das referências que apresentei porque eles são realmente uma grande banda. Obrigado 
                                                                                         - Nick

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Você e Eu


Sou impaciente, incompreensível, ignorante, desleixado, injusto, despreocupado, invejoso e mais.
Reclamo que você nunca diz que me ama.
Reclamo porque você fala isso demais, já perdeu a emoção, tornou-se automático.
Penso somente em que atos podem me afetar.
Rio dos outros e sinto raiva de que riam de mim.
Não sou racista até que alguém de outra raça me roube.
Não sou homofóbico até que minha mulher vire lésbica.
Não sou religioso até não acreditarem no meu único deus.
Não sou ateu até me privarem de algo que gosto.
Odeio pessoas negativas por me colocarem sempre para baixo.
Odeio pessoas positivas por estarem sempre para cima.
Sou realista, até passar a odiá-los também por querer super-reagir a alguma situação.
Leio, escuto, visto, falo, sinto e ajo como eu quero que os outros pensem que sou.
Não ligo para o que pensam sobre mim, por pensar se ligam ou não para mim.
Grito por atenção, afinal qualquer propaganda é boa propaganda.
Odeio barulho de gente: mastigando, digitando, cantando músicas que não gosto...
Xingo por de trás.
Cometo o mesmo erro cinco, dez, vinte vezes e continuo cometendo porque não tenho noção de errado.
Chego ao ponto onde não sei se existe diferença moral entre imaginar e fazer.
Não ligo se não for meu, não é.
Apenas compreendo outro ponto de vista quando passo pela mesma situação. Antes eu não entendia, não queria entender e tinha raiva de que entendia.
Penso nas visualizações e não no conteúdo.
Vejo os filmes sempre olhando o relógio para assim que ele acabar eu poder falar que o vi.
Quando esse álbum vai acabar? Quero logo passar ao próximo.
Faço tanto aquilo que reclamo dos outros por fazerem que a palavra “hipócrita” perdeu o significado.
Sou um rebelde sem causa, um revolucionário sem solução.
De todos aqueles “In” e “Des” que eu sou, o maior de todos é indescritivelmente humano. Sou a representação do mundo e ele a minha.  
Sempre me falaram que o primeiro passo é admitir, mas nunca me contaram o segundo.
                                                                                            -Nick

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Detetive de Florianópolis "Teaser Trailer"


Finalmente, depois de 5 anos de produção e muitas brigas de elenco está chegando o grande blockbuster baseado no best seller "O Detetive de Florianópolis" de Jair Fransisco Hamms. Confira o primeiro "teaser trailer"abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=iBTzmHDOnJU

Dirigido pelo renomado e polêmico Kauwba, estrelado pelo mestre do overacting J.Kley  e editado pelo nosso parceiro de negócios e amigo João Batata.
O filme tem data de estreia para 20 de maio de 2013

Produção e distribuição: Studios 4x1 , Badger Productions e Groovy Films. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ciclo


Eu o via virando-se para mim, com uma expressão que não revelava de fato preocupação. Era uma face neutra, caracterizada por seu mais conhecido personagem. Foi ele que tive em minha companhia nos primeiros anos em que conheci Todd, aquele rapaz desajustado de roupas escuras, espinhas que entregavam sua idade e um cabelo pouco menos bagunçado que meu quarto nos domingos de manha, que agora olhava-me através da alma. Eu, junto com as outras pessoas da aula, pensava que Todd era um mais um esquisito, perdido no meio do mundo, com uma falta de vida contagiosa. Revezávamos todos os dias quem teria de sentar a seu lado. Foi em uma das minhas vezes que acabei tendo que ser sua dupla para um trabalho de análises históricas. Pânico: essa foi minha primeira sensação após a professora entregar-nos os temas. Enquanto minhas amigas matavam-se de rir por dentro eu me via sendo afogada em um poço que se estendia a metros da superfície. Era praticamente impossível não sentir meu desgosto por imaginar as próximas semanas tendo de trabalhar com ele, mas ainda assim ele se manteve estável, indiferente a qualquer palavra expelida ou receio sentido.  
Dou um passo à frente, o que o força a fazer o mesmo. Não dizemos nada. Não há porque estragar o momento com palavras ou quebras de ar. A eletricidade dos olhos fala mais que qualquer batimento em seu coração. É assim de repente eu sinto o personagem saindo e dando as costas para ele. Não há uma mudança em sua expressão, mas fica claro que agora eu estou de frente com seu interior, o Todd que se apresentou para mim três anos após nossa primeira conversa.


Eu sentia seu corpo com meus braços a seu redor. Analisava cada centímetro e encostava com o meu rosto a sua pele que sempre me lembravam pêssegos. Não creio que ela faça ideia da tamanha eternidade que vamos passar um longe do outro. Chegava agora o ponto onde a vida dela realmente começava e a minha acabava. Depois de tantos anos convivendo com ela era ao menos impossível acostumar-se com a ideia do meu dia-a-dia sem que ela não estivesse batendo em minha porta como uma pequena garotinha chamando seu vizinho para brincar. O fato é que com o passar dos anos tornei-me muito vulnerável a ela, de uma maneira que eu não imaginava ser capaz.
Desfazemos o abraço com a emoção de alguém que desenlaça os cadarços no fim de um longo dia ao chegar em casa. Enquanto tenho a certeza de que sua mente se preenche de nervosismo e entusiasmo pelo que está por vir, eu tiro estes milésimos para olhar para o passado. Eu mantinha uma raiva dela com o passar do tempo, por ter se transformado em algo tão importante para mim. Mantenho uma raiva minha por em certos momentos não haver lhe dito quanta sorte eu acreditava ter por haver encontrado alguém como ela ou por em outros momentos haver dito isso demais, assim entro eu nesse ciclo de insatisfação e sentimento mal balanceado. Odeio lembrar, lembrar é ruim. Eu não vivo momentos ruins, apenas lembro deles, e vivo os bons, mas minha mente não me permite lembra-los. Era por esse motivo que eu procurava sempre estar junto dela. Para que eu não me consumisse em infelicidade e me deixasse levar pelo seu toque, pelo tom da sua voz, que era tão doce quanto as nuvens atiradas no céu da primavera.  Enquanto nossos momentos fossem como o pólen que voava no ar, eu não sentia mais nada, me era descarregada a mochila e só havia leveza em meus ombros.
Está na sua hora de partir. Eu me viro de costas e dou três passos, ou foram 4? Ela então chama meu nome.

PS: Eu apenas estava no meio do escuro com o computador e resolvi fazer um pequeno teste. Sem uma história na cabeça essas palavras foram surgindo pausadamente na tela. Não tem um propósito, apenas um ensaio.                                         -Nick

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Acervo Nacional - Memórias Póstumas de Brás Cubas


                Ponho-me de frente a minha edição da Saraiva de bolso e encaro aquela caricatura pensante, enfadonha, um tanto torta e pergunto “Como você fez? Como você caracterizou esses sentimentos e ainda mais importante, está situações?” Mas ele não se da ao trabalho nem de olhar pra mim enquanto falo. Ele fica ali estático. Então vejo que estou falando com um livro e não creio que exista um tratamento específico para seja lá qual problema que eu tenha. Machado é um autor defunto há muito tempo, e não vai responder nenhuma das minhas perguntas.
 Morte e Autores, basicamente as duas palavras chaves do romance: Memórias Póstumas de Brás Cubas, escrito em 1880 por Machado de Assis. Este livro de nome consideravelmente grande que se explica por si só é a história de Vida da personagem Brás Cubas contado pelo próprio, após a sua morte. É ai que vemos como ele difere de Machado nos dias de hoje. Machado é um autor defunto e Brás, que não foi autor em vida, resolveu tornar-se após a morte, escrevendo assim a sua vida a partir da tinta da melancolia.
“Interessante, um homem que após chegando ao outro lado consegue escrever um livro” Sim “Saberemos como é a ‘vida’ após a morte!” Não. Brás começa sua história falando de seus últimos minutos e delírios (que encarei como os que eu tinha quando era menor e ficava com febre) de vida e seu funeral, para então contar seu nascimento e a partir daí seguir em ordem cronológica até chegar novamente à morte. Não há em momento algum qualquer descrição do “além” alem das palavras: eternidade e inexistência material.
Não quero manter o argumento de TODOS os livros que me foram pedidos para ler na escola, bons ou não, e dizer que ele faz uma crítica à sociedade da época. “Memórias” é uma representação da humanidade, a palavra época não se encaixa no contexto. A vida de Brás e as que circulam ao seu redor e as conclusões tiradas a cada pedaço do livro valem para hoje, para o futuro, e o que mais me impressiona: é que valeram para o passado.  
Não sou um fã dos livros que me eram colocados para ler na escola (e ainda são), e me irritava bastante que eram 90% brasileiros. Poderiam ao menos fazer uma média ou então pelo menos colocarem trabalhos bons em nossa frente, de pouco me vale um livro insuportável que retrate perfeitamente uma época há muito tempo acabada, só vai me ajudar a crer que tudo dessa idade é igual a isso que estão me obrigando a ler e criarei inconscientemente um ódio miserável por tudo que seja de época. Também basta de que 99% dos livros até a Oitava série sejam sobre: Drogas, Anorexia, Álcool, Bullying e afins. Não moldaram a opinião de ninguém, não por serem tópicos desnecessários (porque concordo que sejam importantes), mas por não terem qualidade. Apresentem aos alunos algo que os façam realmente pensar e, nesse caso devo dizer que as produções exteriores (filmes) são geralmente melhores. Adaptando uma frase de Niemeyer “Não existe nova e velha literatura, apenas boa e má literatura.”.
Posso haver-me desfocado um pouco objetivo, mas é que foram poucos (bem poucos) os livros escolares que cumpriram um objetivo de consciência maior, que foram realmente lidos por completo e não em resumos na internet, filmes ou adaptações em quadrinhos, e Memórias Póstumas, o clássico da literatura brasileira, nunca me foi pedido. Apenas tivemos de ver o filme, que não nos foi cobrado. Engraçado, não é?
                O que mais me impressiona neste livro é a ironia, mas não é aquela nos livros que se resume a momentos e frases, nele a ironia trata do livro inteiro. Em como a sociedade pode “prever” um futuro completo e fantástico para alguém, baseado e falsas premissas de status e reconhecimento, e como podemos provar que estão todos errados por não alcançarmos nenhum dos objetivos que nos foram impostos, tendo uma vida nem tão completa e nem tão fantástica por outros olhos e ainda assim tirar sarro do que chamam de miséria, sem grandes feitos. Como nos sentimos obrigados a exagerar cada momento, sendo que as coisas deveriam ser aproveitadas pelo que elas são. Simples, como sempre foram.
Brás fala muitas vezes diretamente com o leitor, o que deixa a abordagem bem pessoal. Somos acolhidos por seu carisma. Ele desmitifica o fato do livro ser “grande” uma vez que sua própria vida não foi. “...o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”.
Uma coisa é obvia, o livro é de 1880, logo carrega um o linguajar de 1880. Coisa que não dificulta a compreensão da história, mas pessoalmente eu queria entender cada palavra, já que em breves momentos perdia-me um pouco do contexto. Dava-me aquela vontade de haver prestando (alguma) atenção nas aulas de português quando era menor, facilitaria minha vida de muitas maneiras. E uma última observação sobre a obra é a seguinte: Senti de certa forma que o autor chega um pouco antes do final e corre, como se o livro tivesse um prazo. Poderia haver tratado os capítulos finais com um pouco mais de carinho como o resto do livro.
A versão cinematográfica do livro é muito boa por acaso. Claro que, como a maioria, não supera o livro, mas tem uma ótima escolha de elenco o um roteiro adaptado deveras satisfatório, vale a pena conferir.
Bem um livro de título tão grande merece uma postagem ao menos equivalente. Espero que tenham gostado, continuem sintonizados e deem suas opiniões sobre a obra, ou qual sua obra da literatura brasileira favorita. Vielen Dank.
                                                                   
Reginaldo Faria (Filme)
  -Nick

Louder

Na aula de inglês estávamos estudando sobre política Americana e como parte dos tópicos começamos a estudar a construção de discursos e suas técnicas. Como um exercício disso a professora pediu que após nossas análises nós escrevêssemos nosso próprio discurso e poderíamos imaginar qualquer situação para o próprio. Vi aquilo como uma oportunidade de ser criativo "Quantas vezes vou ter uma oportunidade de fazer um discurso e realmente apresenta-lo sem a menor necessidade me levarem a sério?" Bem o resultado é isso esse texto a seguir, não me propus a traduzi-lo portanto espero que você tenham se proposto a ter aprendido inglês.
                                                                                                                 -Nick

Good morning every one. My name is Nick, in case someone doesn’t know, even considering the fact that I’m in this class with all of you my whole life.
Ms. Rutherford asked me yesterday to prepare a presentation about something that we are learning. And believe me, I was really going to do it, until I realize that was the first time I was going to be here, in front of the board, speaking to all of you, as an equal. So I was not going to waste this opportunity by talking about a man that died four hundred years ago without doing something that really matters, something relevant for our lives as students and human being.
 -Please Ms. Rutherford, let me finish, I can go from here straight to the principal’s office if you want, but I’ll say what I must.
It’s surprising how I’m going to be the one that is saying this here but, there’s something very wrong in here people. C’mon can’t you see this? We had studied together for fifth teen years and half of you don’t even know each other. Until the Third grade everyone was nice and friendly, relations were simple, people said what they meant and the truth was a basic system. No one labeled others for its popularity or look alike, times were better. We could have been friends with whoever we wanted, without being afraid of someone giving us strange looks or inventing gossips about everything. We have become slaves of the status quo. The so called “groups” say that you can only wear a certain type of clothe, have a certain type of friends and date a certain type of person. Why can’t Marvin go out with Jennifer here? Just because he’s a bit shy and is not that good at beer pong does not mean that they don’t have something in common. And why can’t Josh be invited to a party? Just because he is not in the basket team and does not have a girlfriend? Have we all lost out sense of humanity?
No I haven’t. The ancient civilizations in history class teaches me that the real great people were those that stud up in the crowd and said “We have enough of this”, and I certainly had enough of this. I want to be able to go and talk to the girl that I like without having to deal with your weird looks and comments. I want to be able to go to her and say “I like you Michelle!” and don’t feel as embarrassed as I feel right now.
 -By the way, sorry that you have to find it like that.
But think for a moment, wouldn’t it be nice that things were simpler? That people were once again more sincere? That I could go to her and say that I like her since we met in kinder garden and she shared her last brownie with me? That I saw her become one of the most beautiful girls I ever seen? That she’s my Mary Jane, my Louise Lane, even that I am no Superman.
I know it's hard for you to realize it yet, but try to imagine the wonderful things that would happen if everyone stopped to care about the stereotypes and started to see what’s inside. That people looked at your eyes when they're speaking with you. And who said that fixing one classroom at a time you can’t make a little difference at America. Who said we can’t raise more kindness and give those seeds to the next students and so on?
 -Having said all that, I’m sorry but, Michelle, would you go out with me?

terça-feira, 9 de abril de 2013

Acervo Nacional - 2 Coelhos


Estava sentado no sofá em plena noite de sábado, então meu pai chega com um DVD alugado chamado “Dois Coelhos”, me fala que e um novo filme nacional, então eu penso “Opa, nacional. Legal bora ver mais um filme sobre pobreza, criminalidade, pobreza, corrupção, pobreza, Bahia, pobreza, futebol”, Dois Coelhos pode ser qualquer coisa para você, menos POBRE (culturalmente).

Se o ensaio sobre a cegueira de Meirelles e de uma historia simples, mas de uma mensagem muito complexa, Dois Coelhos é o contrário, uma história extremamente complexa, mas uma mensagem simples: Matar Dois coelhos com uma “caixa d’a agua só”.

Quando estou sendo apresentando a uma obra de arte o que mais valorizo é a originalidade/criatividade, talvez venha dai meu apreço aos filmes do Tarantino e Aronofski, já que qualquer acéfalo consegue identificar suas obras quando lhe é apresentado. O mesmo acontece com Dois Coelhos que pega a maioria dos filmes nacionais joga no lixo e fala em bom e alto som “FODA-SE seus filhos da puta”.

As atuações de Thaide (ex-vocalista de black music das antigas, hoje sem o black power apresentado A LIGA da emissora Band) e Robson Nunes (Vulgo gordinho das propagandas da SKY) são simplesmente impagáveis, parafraseando um personagem do filme  “ce viu as fita que esse dois fizeram de motinha”.

Falando em personagens, nenhum, absolutamente nenhum, personagem fica desconexo na história, talvez isso soe blasfêmia, mas a imprevisibilidade da importância que os personagens adquirem durante a trama e quase digna de R.R Martin (Digo quase, pois jamais teria a coragem de insultar o deus da escrita e dos suspensórios).
Caso for assistir a obra (Se não entendeu eu realmente estou te recomendando muito rapa). Preste muita atenção em cada detalhe, tenha paciência, pois a trama só começa a se descomplicar depois da metade do filme e fique calmo porque quando as cortinas se fecharem o espetáculo acabar e você já tiver levado um tiro, digo uma pancada no peito que fará sua cabeça virar do avesso, você estará muito feliz.
              -Kauwba
PS: O filme tem defeitos (como qualquer obra), mas me perdoe, isso não e uma critica e mesmo que fosse, no momento eu estou anestesiado pelo orgulho de ter um filme assim no nosso pais e também pela música EXIT MUSIC do Radiohead que é tocada no clímax da obra.

Acervo Nacional - Tribalistas


Não tinha como não abrir a série com o que deve ser meu Cd favorito de MPB.
Tribalistas foi um trio composto pelos músicos Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte. Tendo um só Cd lançado com o mesmo nome.
Conheci essa experiência quando eu estava na primeira série. Tínhamos que cantar uma das músicas do Cd em alguma apresentação da escola, não me recordo direito, mas lembro que gostava muito de ouvir ela quantas vezes fosse necessário até que a turma inteira aprendesse. Talvez por causa disso Tribalistas para mim tenha som de nostalgia. Mas é algo mais forte do que uma simples memória daquela velha infância. É um caminho para uma vida de criança que não sei bem se eu vivenciei, ou só tive na minha imaginação, mas seja qual for, é muito boa.
O Cd em si é bem calmo, tirando pelas duas primeiras e duas últimas músicas, mas no geral é MPB meio lounge com vocal, violão e percussão que conta com a participação de um acordeão em um par de músicas.
Mas as letras......ah as letras. É pura poesia que fecha cada compasso com a suavidade de uma folha, as metáforas, relevâncias e verdades que são jogadas pra fora com o som trazem uma sensação de paz. Perdão se acabo por ser um tanto piegas “demais” nesse post, mas estou escutando o Cd enquanto escrevo, portanto fica difícil não se deixar levar.

Os três músicos não estão na lista dos meus top 5 mas o Cd sim. O que não desconsidera o trabalho de cada um individualmente, quem conhece pode ver que há um pouco de cada um assim que as músicas vão se desenrolando.  
Tribalistas surgiu sem grandes expectativas, mais como uma mera brincadeira. Arnaldo Antunes (Ex membro da banda Titãs), pediu que Marisa Monte (considerada por alguns a maior cantora brasileira) que gravasse uma participação no Cd que estava sendo produzido por Carlinhos Brown (músico que tem como inspiração uma levada mais Funk e Soul dos 70). Juntos eles criaram algumas músicas e um tempo depois decidiram gravar, criando o Cd que vendeu mais de dois milhões de cópias.  Os três já foram vítimas de garrafadas e xingamentos em festivais como o Rock in Rio por acabarem sendo escalados para um dia não compatível com seu estilo. Concordo que é um tanto desconfortante escutar MPB quando você comprou um ingresso para ouvir AC/DC, mas acho que desrespeito com pessoas dessa maneira não chega nem a ser discutível, “mas não podemos nos vingar, é só lembrar como é bom e ao amor se render.”
Portanto se não conhecem, tomem um pouco do seu dia para ouvir. Venha comemorar, escandalizar, carnavalizar e namorar. Se conhece, gosta, desgosta deixe seu comentário e também indiquei outras produções. Obrigado.
 - Nick